BlueFullMoon

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

AD INFINITUM

Vivo os dissabores de minha vida.
Esperança: algo fictício a que me apego,
para todo o dia ressuscitar.
E como ja dizia a grande poetisa: como odeio
a luz do sol, que revela até o possível.
Morte: como posso abraçá-la,
pois o que me prometes
é a incapacidade de expressar minha dor
"ad infinitum".
Sinto que a voluntária degeneração se faz possível,
pois a perspectiva do fim, que por enquanto
não me exige, não passa de uma ocasião
ainda remota.
Será então que entendi a vida como uma contínua
e dedicada preparação para a morte?

Jorge Trindade

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