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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Promessas de Fim de Tarde


Promessas de fim de tarde

Chuvisco da TV na madrugada
Assim pareceu a tarde de Verão
Milímetros de inquietude através da janela
Invadem meus olhos que neste mundo não mais estão

Divertem-se os pombos encharcados
De prédio em prédio, num balé urbano
Iluminado pela dança de preto e branco do céu
Movido pelos ventos que anunciam o final deste ano

Domina o clarão mais pleno que o Sol
Branco de nublado – uma Heineken ao meu lado –
O que mais fascina a vida concreta
No centro da cidade além do caótico estado

Porque na minha terra tem betoneiras
Que emudecem os sabiás
Boêmios declamam e incendeiam
A noite que está por chegar.

(Rogério Char – 1/12/11)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Sinfonia da Criação


Sinfonia da Criação

Manifestação da Deusa
Suas estrelas percorrem
E seus olhos de cometa discorrem
Luzes em conflito à escuridão de minhas dúvidas

Ápice da deidade
Em sopros que inspiram vontade
E à tormenta dos mares da saudade
Vem para mim, pois inspira sua sinceridade

Quem diria, bardo tão jovem
Varão abençoado em quintessência
O sangue ferve em versos de fertilidade
Anjo? Deus? Em plenitude da felicidade!

Simples! Percorre com seu suor
Até o leito de minha inspiração
Quão transcendental versão
Degladiamos e brincamos em torno da criação

Grande rito, ó musa perfeita
O calor nos funde em olhares e canções
E sem mais unimos corpos em intenções
De maturar amores pelas próximas estações.


(Rogério Char)
30/11/11 quarta.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Sol em Movimento

   O Sol em Movimento


Espelho de vontades
Seu retrato na parede
Olhares embriagados
À matemática de nossos desejos

Café da manhã à tarde
Rente à aura aquecida
De nossos corpos, Sol surge
À medida que nossas pernas duelam

Vem com sinceridade
Toque-me com o calor
Da sua boca, desliza
À porção do nosso suor compartilhado

*Grand finale, dois movimentos
Negação do tempo, queremos tempo
Olhos entreabertos, olhares dispostos
Dois em um. Boa Noite!

(Rogério Char)
sábado 26/11/11


terça-feira, 18 de outubro de 2011

PONTOS FINAIS?

Exatamente assim. Pesada, sufocada. Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções.
Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros ... quero parar de me doar e começar a receber.
Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre virgulas, aspas, reticências... eu vou gostando... eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou... e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos... e vou... dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar.
C. F. Abreu

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

PRENUNCIO

Quem sou eu?
Não interessa
Como também
Não interessa quem é você
Interessa é saber o que somos
A vida ou a morte
Coragem ou medo
Em resumo
O que procuras, o paraiso ou o inferno
O que é mais horrendo
Os animais, a força da natureza
Não! É o aprisionamento da liberdade de expressão
Sentir, ouvir, e não poder falar
De que servem as regras
Burocracia, sistemas de leis
Se o carrasco no poder secou a nossa cultura
Ah, você não se importa com o destino do mundo
És corajoso demais
Então por que tremes diante do caixão?
Seu melhor amigo, evita a sepultura.
Como certa e ultima morada
Ahhaha temes a batalha do armagedom
A ira do Leviatã, O apocalipse final
Mas por que temor,
se passase por todos os prazeres terrenos
Os 7 pecados capitais
Em todas as aberracões sexuais
Hum, por que está ciente de que não existe o terror
No entanto o terror o aprisiona
Mas o que é o terror
Ahaahaahaa,não aceita o terror por que o terror é
Vocês.

(Sepultura com Zé os Caixão)

VAGO*


"E quantos sonhos na ilusão da vida.
Quanta esperança no futuro ainda.
Tudo calou-se pela noite eterna,
E eu vago errante e só na treva infinda."

(Álvares de Azevedo)
´achado numa agenda minha de 2007...´

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

AD INFINITUM

Vivo os dissabores de minha vida.
Esperança: algo fictício a que me apego,
para todo o dia ressuscitar.
E como ja dizia a grande poetisa: como odeio
a luz do sol, que revela até o possível.
Morte: como posso abraçá-la,
pois o que me prometes
é a incapacidade de expressar minha dor
"ad infinitum".
Sinto que a voluntária degeneração se faz possível,
pois a perspectiva do fim, que por enquanto
não me exige, não passa de uma ocasião
ainda remota.
Será então que entendi a vida como uma contínua
e dedicada preparação para a morte?

Jorge Trindade